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Sobre a divulgação dos resultados do Enem: informação inadequada e concorrência desigual


Para o prof. Fábio Waltenberg, as reportagens fornecem novos exemplos daquilo que as pesquisas em economia da educação vêm mostrando há alguns anos. Confira a análise.


Fábio D. Waltenberg
15 de maio de 2009

 

1. Velocistas vencem judocas nos 100 metros rasos!

Imagine uma bateria de provas de 100 metros rasos disputadas entre um grande número de velocistas e de judocas. Quem você apostaria que seriam os primeiros colocados? E os últimos? Corta! Pense agora nos resultados do Enem 2008 por escolas, divulgados pelo MEC na semana passada, com grande repercussão na mídia. Como de costume, nas rápidas análises feitas após adivulgação, constatou-se que: (i) na média, nossas escolas vão mal (média geral por volta de 50 pontos, numa escala que vai de 0 a 100); (ii) pouquíssimas escolas ultrapassam desejáveis 70 pontos; (iii) emmédia, escolas privadas e federais têm resultados bem mais altos do que estaduais e municipais; (iv) há predomínio de escolas do Sudeste no topo do ranking nacional.

Grande parte do que se noticiou na semana passada sobre o Enem é equivalente a anunciar que nossos velocistas – nossas escolas privadas e públicas federais –, apesar de muito mais lentos do que gostaríamos que fossem, ficaram bem à frente dos nossos judocas – nossas escolas públicas municipaise estaduais. As reportagens fornecem novos exemplos daquilo que as pesquisas em economia da educação vêm mostrando há alguns anos. Exceções à parte, indicam que as escolas com desempenho médio mais alto são aquelas em que se observa uma ou mais das seguintes condições: (i) seus alunos provêm de famílias abastadas e pagam caras mensalidades, (ii) selecionam-se precocemente, por aptidão ou capacidade acadêmica, os alunos admitidos, (iii) a escola se localiza em município rico, de estado rico.

Sendo assim, poderíamos nos perguntar:

(1) Afinal, qual é a razão para se divulgarem tais resultados, se, ano após ano, invariavelmente constataremos que nossas lentas escolas-velocistas vencerão nossas lentíssimas escolas-judocas?, (2) Que mecanismos se supõe que seriam desencadeados a partir da divulgação dos resultado e que conduziriam à melhoria do ensino?

Estes são os temas abordados nesta breve nota. Primeiro, respondemos (1) e (2); depois, levantamos dúvidas, tanto quanto à adequação da forma atual de divulgação dos resultados, como quanto às chances de bom funcionamento dos mecanismos que supostamente conduziriam a uma melhoria.

LEIA A ÍNTEGRA

   

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

      

 

 

 

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